O silencioso canto das aves migratórias

O silencioso canto das aves migratórias

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Do lado de cá do tempo ,a vida vazia dos dias de inverno

da solidão das noites,mascarada na cor cinza das paredes nuas.

Portadas de vidas fechadas a ilusão dos dias de sol que um dia

aqueceram o interior desabitado
...

Desabitado de gestos,de luz,de gente feliz ....

Pergunto ao silêncio dos muros

que vida passou por ali?

todos os segredos,todos os sonhos que um dia preencheram os dias.

Eram grandes as janelas que se abriam para o mar

Eram vidas que se eternizavam na esperança de ver os marinheiros chegar.

De sonhos que se construíam nas asa das gaivotas que voavam sobre os telhados e partiam...

Paro...ouço o silêncio ,uma musica de fundo chega do passado.

Crianças riem felizes

a mãe na cozinha prepara o lanche.....

O pai ainda anda no mar.....

Não....a vida já se esvaziou no interior destas paredes

as vozes que ecoam já não são reais.

As janelas dão um ultimo suspiro

quem sabe ,quem verá os próximos vendavais?

São Gonçalves

O meu tempo parou
Perto da meia hora
Daquele dia que não alcancei
o tempo de me sentir criança
na ingenuidade do mundo
na timidez sobria do corpo
marcada nos ponteiros de um relogio
na sombra de um corpo esquecido
de quem pouco me lembra
...
e,mesmo assim
carrego-o ainda para lá das poças
reminiscentes da chuva
que não me fez crescer…
Atravesso a velha cidade da memória
observo as ruas desertas
e cruzamentos
plenos de janelas
que me confundem
e me observam
apenas vidros ou seres
as trespassam
criticam a minha guerra…
Se souberes de que solidão
são escritas os meus dias
e de que fragancias se perfumam
as minhas noites
Se souberes ler nas imagens interditas
que fecundam os meus olhos
de ternura e compaixão
se souberes
largarei as horas
por instantes
e com as mãos nuas
pintarei estas paredes
desoladas
que não me pertencem
mas são deste meu mundo…
Pintarei o céu de cinzento
os corpos ausentes em
preto e o branco
talvez por magia no meu olhar
amanhã nascerão de outra cor…
e os ponteiros do relógio
dançarão em outros momentos
em ritmo de fervor…
Jc Patrão & São Gonçalves


A juventude no corpo e no rosto

os caminhos frágeis da descoberta

as sombras protegendo os recantos obscuros

esquecidos nas bermas da estrada.
...

Era assim uma noite como tantas

a solidão dos dias afastava-se nas noites

O mundo esquecendo os temores

em pistas de musica frenética

as luzes coloridas

os gestos meigos e doces

as mãos que acariciam um rosto

e o tempo que corre veloz

como os corpos que se esquecem

no ritmo da musica.

Não haveriam de ser de sombras

os encontros que marcariam o destino

Haveria de ver ,luz,amizade

caminho percorrido,partilha

e a saudade.

São Gonçalves.

sábado, 13 de outubro de 2012

Mesmo sem asas de borboleta poderemos encontrar o caminho.....basta desenvolver a crisalida que se esconde em nós...

São Gonçalves.
O cheiro do café

ou a o aroma da canela

é mais ou tão poético que

a vida,o amor a morte

a beleza das coisas
...

a filosofia existencial

imanente do pensamento

em evolução.


A poesia é a vida

concebida em todas as formas

quando em tudo,mesmo na dor

extraímos a essência.

São Gonçalves

Poderiam-se fundir no céu,na cor da terra

no azul do  mar,no chão

...
no breu da noite mais escura

na beleza etérea do espaço sideral.


Gritar a beleza aos quatros cantos do mundo,

ou o silêncio da amargura nas longas noites de solidão.

seriam sempre as mesma figuras erguidas

olhando para o amanhã.


Sozinhas haveriam de tecer longos xailes de lã

que aquecesse nas noites frias de inverno,

haveriam de amar de novos os homens

que partiram um dia ,juntando-se a fúria do mar.


E mesmo assim tecendo e amando,

seriam sempre as mesmas figuras erguidas

olhando o amanhã


Partilhariam confidências,segredos guardadados

a vida crua nos revezes do destino

odores eternos confecionadas

nas cozinhas da memoria,e riqueza da sua própria historia


Rezariam em conjunto em templos despidos de luz

orações seculares ,num dialeto desconhecido

e mesmo assim seriam sempre as mesmas figuras erguidas

olhando o amanhã.


São Gonçalves

Por mais ténue que seja há sempre uma luz que me faz falta, não para encontrar o caminho mas para que ele se perca em mim... Jc Patrão



Não será apenas as sombras que espero

...
nem o escuro das noites sem lua

nem serei apenas eu a percorrer


trilhos da insensata procura.


Perder-me e nas estrelas cadentes

nos planetas que gravitam

perdidos no imenso universo.


Esperarei sempre a pequena luzinha

algures entre o sistema solar

e o meu pensamento.


E nela haverei de me confundir

afundar e emergir

me perder e encontrar....


São Gonçalves.