O silencioso canto das aves migratórias

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

É tão grande o céu
Esta imensidão de azul
Espraiando-se na volatilidade do tempo.

É tão grande o sentimento 
que nunca se quebra
Na fragilidade de um chilrear sereno.

É tão grande o horizonte
Mar de sonhos e de vontades.

São Gonçalves.

Foto - António Mattozzi

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Eu não tenho palavras que saibam desenhar o voo das aves
Esse encantamento atravessando o céu
Mas sei, conheço, sinto
O voo com que rasgo os dias e as noites
A esperança leve dos dias vazios!

Amanhã é outro dia
O espirito não descansa

Danço um bailado silencioso
Entre o apego às coisas
E a imaterialidade do mundo!

Quantos voos serão precisos para vencer os desafios da vida?

São Gonçalves.
Foto-Antonio Mattozi

domingo, 6 de dezembro de 2015

De que servem todas as teorias do mundo
Todas as que tentam decifrar a humanidade
Em compêndios cheios de palavras
Sem vida, sem emoção!
De que servem afinal
Os grandes debates filosóficos…
Se é na luz da aurora
Nesse beijo magico entre o céu e o mar
Nesse amarelo abrasador
No azul apaziguador dos anseios
Nessas cores sublimadas da natureza
Na fragilidade volátil do ar
Que a vida encontra sentido!

São Gonçalves

Foto- Antonio Mattozi

domingo, 15 de novembro de 2015

Contra ventos contrários e marés adversas, caminho
Sou a força solitária dos meus passos
A eterna procura do devir num céu de cores claras, os meus olhos sorriem ao mundo, nada me demove de cruzar ventos e marés.
Não faço parte de grandes comunidades, nem sou figura presente nas festas mundanas .
O meu destino é a solidão das palavras, um mundo de tantos silêncios gritantes. 

Eu sou parte deste céu, deste vento
Deste marear de sentidos e de medos.

São Gonçalves.
Foto - António Mattozzi.

domingo, 12 de abril de 2015

Das longas tardes ,guardo a memória do infinito
o aroma do mar colado ao corpo
a pequenez do meu corpo frágil,espraiando-se na maresia!

Das longas ausências,guardo a memória do tempo
num gesto cinzento e duradouro, a emensidão do silêncio
banhando os meus passos mudos!

São Gonçalves.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Eu sei que é tão breve esta passagem
a ternura do teu olhar no meu
a fugaz caricia da brisa 
o silencio dos murais confidentes.

Sopra o vento devagar
acaricia devagar os frágeis galhos
e eu anseio a primavera
o florescer das amendoeiras...

No teu colo desperto
sem a razão dos dias sem cor
o inverno corta-me os lábios
cinje-se a dor des nostalgias

olho o tempo e o espaço
é de ti que ainda espero o abraço!

São Gonçalves.

Foto-Antonio Mattozi
Foto -Antonio Mattozzi.

Da claridade da luz,inventa um poema
onde o voo das aves
reinventa novos horizontes

Da liberdade do voo renova os gestos
na lucidez de um tempo
de abraços raros.

Do gesto silencioso o alento
da renovação dos dias.

São Gonçalves.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Foto-Antonio Mattozzi

Recordo as manhãs nesta distancia calma
o tempo das gaivotas sobrevoando
a costa ,beijando o mar salgado..
Ali naquela praia deserta
contemplo o abraço do mar
num silencioso dialogo com a areia
do tempo .
E ouvindo uma sinfonia de cristais
dançam a dança dos jovens enamorados
abraçam-se em espaços abertos
num frenética entrega.
A vida não se compadece
dos invernos tardios
e o mar não perde o encanto
pela ternura da terra.
Não oiço o cântico solitário
das aves peregrinas
quando de longe
contemplo a beleza
de um enamoramento das estações
na ternura dispersa
sobrevoando as horas
nas asas do tempo.

São Gonçalves.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Fustigado o olhar diante das tempestades

abraça uma esperança ainda que vã

...
de se abrigar na luz

da palavra erigida nas encruzilhadas

do destino.


São Gonçalves.
Agarro a terra que me viu nascer

agarro-a com raiva,com paixão

...
aperto-a entre os dedos

sinto-lhe o sabor amargo

a rudeza da vida

sinto-lhe o sentimento

perdido na cor escura e fria

e faço nascer uma nova flor

sangue novo filtrado

na palma da minha mão.


São Gonçalves.

sábado, 10 de novembro de 2012

Agarro a terra que me viu nascer

agarro-a com raiva,com paixão

...
aperto-a entre os dedos

sinto-lhe o sabor amargo

a rudeza da vida

sinto-lhe o sentimento

perdido na cor escura e fria

e faço nascer uma nova flor

sangue novo filtrado

na palma da minha mão.


São Gonçalves.

domingo, 7 de outubro de 2012

 
 
 

Cinzentas a cores que antecedem a estação das chuvas

as manhãs escondem o sol em nevoeiros imensos

Do tempo em que o sol queimava a pele

...
e o trigo brilhava nos raios dourados

ainda se vislumbra uma tímida cor

no coração das searas

as papoilas ainda abraçam

a timidez da luz...

domingo, 30 de setembro de 2012

Estranho-me nesta ausência de palavras

neste silêncio d'alma que se perde nas paredes

...
nas ruas escuras ,nos becos sombrios do coração

Sombras de vultos esguios percorrem o mundo

olhares perdidos ,fugazes de esperança perdida

caminham sem rumo,sem história,sem memória.

Abraças a imagem desfocada na mais longínqua

noite de insónia,abraças o tempo

o vazio desmedido,o ingrato momento de esquecimento.

Abraças-te a ti numa ultima e remota esperança

que as palavras voltem ao templo dos sonhos

agora perdidos no mito da inconstante

precaridade temporal.


São Gonçalves.

domingo, 9 de setembro de 2012

Segunda estrela à direita,

este é o caminho e então

...
em frente até de manhã,

seguiremos....

a estrada que se encontra e

leva para a ilha que não existe...



Antonio Mattozzi




A horizonte o caminho

o mar azul e calmo

o caminho,a direção

a esperança na palma da mão


O sonho guardado

num céu estrelado

no perfume de insenso

espalhado nas sombras estreladas


Seguiremos navegando

espreitando o oásis

que se avista ao longe

a terra esquecida do mundo


a salvação da humanidade

nas mãos do poeta

na ilha perdida

na Ilha que não existe.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Pelas ruas escuras, a sombra

... calada e fria do tempo

vultos invisíveis...

contemplam as frinchas

espaços abertos,entre a paredes

nuas e escuras,

o céu azul,a esperança algures

entre o tempo e o vento

que sopra mansinho.

E o corpo já gasto

rende-se aos sussurros

do compasso do relógio.

Entre a sombra e a luz

o céu abraça o olhar
 
na mansidão dos dias

sem horas.


São Gonçalves