Seria um momento , sem passado, sem futuro, a cristalização de um agora parado no tempo! A palavra guardada, a metáfora do tempo que se quer único; vivência descontinuada, fragmento de um vazio , o nada!
E suspensa numa amálgama de auroras e de crepúsculos, a vida, parada, exausta, madura.
Sentia a inércia a ocupar o corpo, as palavras dos livros a espalhar -se pela casa. A dor magoada e sombria nas flores secas de outono. As rosas mortas na jarra, um poema esquecido e sublinhado de Pessoa. O cansaço de Álvaro, o paradoxo de um tempo feito de ironias.
Estas eram as palavras cristalizadas num momento , a ruptura do passado , a beleza gasosa de um tempo fugaz , líquido, efêmero.
Esta era a poesia das gotas de orvalho a cortar a negritude do nada!
São Gonçalves
Foto - Camilo Rego
O silencioso canto das aves migratórias
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quarta-feira, 10 de julho de 2019
terça-feira, 4 de abril de 2017
Podíamos falar do que não foi, dos silêncios, da incapacidade de dar, talvez porque nunca se recebeu.
Como dar o que nunca se teve ?
É preferível falar do que foi, do que a memória traz de luz, de momentos efémeros de partilha.
Hoje lembrei -me do dia em que nos levaste a ver o mar. O mar bravio da torreira. Homens e mulheres, bois, redes, peixes a saltitar. Eu tão pequenina tive medo. E tu deste - me a mão !
São Gonçalves.
Foto -Camilo Rego.
Como dar o que nunca se teve ?
É preferível falar do que foi, do que a memória traz de luz, de momentos efémeros de partilha.
Hoje lembrei -me do dia em que nos levaste a ver o mar. O mar bravio da torreira. Homens e mulheres, bois, redes, peixes a saltitar. Eu tão pequenina tive medo. E tu deste - me a mão !
São Gonçalves.
Foto -Camilo Rego.
domingo, 11 de dezembro de 2016
Mesmo que a minha ausência tenha sido motivo de vazio, de desencanto, nunca a tua ausência foi um sentimento de plenitude como o presente.
Porque a lembrança é o melhor antídoto para a lucidez.
São os dias que marcam a chegada e a partida que asseguram a lembrança e a continuidade da memória.
São Gonçalves.
Foto - Camilo Rego
Porque a lembrança é o melhor antídoto para a lucidez.
São os dias que marcam a chegada e a partida que asseguram a lembrança e a continuidade da memória.
São Gonçalves.
Foto - Camilo Rego
domingo, 10 de janeiro de 2016
Contorno o vazio do campo com o silêncio do mundo
Pedaços de ternura soçobrada no tempo e no lugar
Uma canção de místicos anseios
O palpitar de um pássaro ferido, um voo rasante e mudo
A terra que gira ao redor d universo
Em passos lentos para morte
Bradam os passageiros por sol e mar
Pela ternura de uma brisa fresca e selvagem
Das florestas virgens…
Ah! Terra mãe, irmã, grande deusa da fertilidade esquecida
Ensina aos homens o nome das plantas e dos frutos
O suculento acordar da purificadora esperança!
São Gonçalves.
Foto-Camilo Rego
Pedaços de ternura soçobrada no tempo e no lugar
Uma canção de místicos anseios
O palpitar de um pássaro ferido, um voo rasante e mudo
A terra que gira ao redor d universo
Em passos lentos para morte
Bradam os passageiros por sol e mar
Pela ternura de uma brisa fresca e selvagem
Das florestas virgens…
Ah! Terra mãe, irmã, grande deusa da fertilidade esquecida
Ensina aos homens o nome das plantas e dos frutos
O suculento acordar da purificadora esperança!
São Gonçalves.
Foto-Camilo Rego
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