O silencioso canto das aves migratórias

O silencioso canto das aves migratórias
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segunda-feira, 18 de setembro de 2023


 Eleva-se o pensamento ao ponto mais alto da consciência.


Sente- se a vibração do corpo, os pensamentos a formar uma espiral azul. A geogragia de cidades, misteriosas, envoltas em brumas. Pequenos espaços de luz a iluminar a sombra dos dias.
Ainda que o caminho seja longo, ainda que o corpo não esteja completamente liberto das amarras do passado, sente- se a leveza dos gestos, janelas abertas ao espaço onde se conjuga a cor, o verbo e a vida. A transcendência e a contingência . A maturidade e a sabedoria.
Entre dicotomias revela- se a simbologia do devir. O apaziguamento dos sentidos. É este o momento de liberdade. A presença do sagrado exaltando o silêncio.

Profundo o momento de descoberta!

São Gonçalves
Pintura –  Melo - Contemporary Art 


 A introspeção aproxima-nos profundamente da essência, do nosso lugar no mundo e da importância do cosmos na nossa existência.

O conhecimento vai dando, paulatinamente, lugar a outros questionamentos, intuições. O movimento do corpo e dos sentidos desdobrando-se no murmúrio quotidiano.
O processo é, quase sempre, longo, intenso, por vezes com dor.
Torna-se necessário caminhar para dentro, em silêncio. Desbravar lugares inóspitos da nossa consciência.
Tal um eremita solitário sondando os lugares sombrios da sua morada, do seu deserto. É um processo contínuo. Ao longo da caminhada, surgem dúvidas novas. Obstáculos inesperados, encruzilhadas desconhecidas.

A preserverança e a lucidez são os companheiros mais fiéis da infindável procura!

São Gonçalves.

Pintura- Edite Melo - Contemporary Art

domingo, 5 de março de 2023


 Chegamos a temer as palavras que se escondem no fundo da garganta.


É preciso amar o silêncio, interpretar a semântica da negritude.

Definir a geografia da ausência para melhor alterar a rota de uma vida.

É preciso olhar a luz, sentir-lhe a profundidade, sem cegar.

Abraçar a imensa descoberta que se faz na noite procurando a verdade.

São Gonçalves.

Pintura. Edite Melo - Contemporary Art 


 Da espuma dos dias extrai-se a substância da alquimia.


Uma sequência de tons a lembrar a estação da monção ou do Outono da vida.
Rasgos de emoções transcendentes, a substância invisível a atravessar a matéria líquida da memória.
Migram as cores entre os espaços invisíveis.

De que forma se desenham os materiais do infortúnio?
Um traço, o negro líquido a conferir a imaterialidade do momento.

Com que gesto se trasmuta a ideia de plenitude?

Pretendo agarrar o momento perfeito. O olhar abraça a profundidade da cor.
Das matizes liquefeitas o lugar que se abre ao inesperado.

Pintura Edite Melo - Contemporary Art

São Gonçalves


 Eleva-se a consciência ao ponto mais alto da transcendência.


Sente- se a vibração do corpo, os pensamentos a formar uma espiral azul. A geogragia de cidades misteriosas envoltas em brumas. Pequenos espaços de luz a iluminar a opacidade dos dias.
Ainda que o caminho seja longo, ainda que o corpo não esteja completamente liberto das amarras do passado, sente- se a leveza dos gestos, janelas abertas ao espaço onde se conjuga a cor e o verbo. A transcendência e a contingência. A maturidade e a sabedoria.
Entre uma e outra, revela- se a simbologia do devir. O apaziguamento dos sentidos. É este o momento em que te sentes inteira. Presença divina exaltando o silêncio.

Profundo o momento de descoberta!

São Gonçalves
Pintura- Edite Melo


 Tão silencioso o espaço cristalizado da emoção.

O poder transformador da cor e do traço.
O assombro estrelar da luz redentora das manhãs. A concavidade luminosa a abraçar a execividade dos dias.
Lugares desabitados onde se misturam os sons do mundo e da natureza.

Das brumas cresce a memória dos rios.

Com as palavras se tecem os nós da desesperança. Sombras a querer vingar nos matizes mais sombrios.
Simulado na urdidura da tela a claridade enigmática das águas cristalinas dos rios, dos oceanos virgens.

Crescem no espaço as constelações.

Andrómeda, cassiopeia, sagitarius. Via láctea.
E no tracejado da matéria o deslumbramento líquido das marés, das auroras boreais. O desassombro da claridade unificadora.

São Gonçalves
Pintura- Edite Melo

sábado, 17 de julho de 2021


 Derrama- se no branco das paredes a cor azul cobalto das marés!

De linhas finas se desenham as ideias. Tecem- se de madrugada os esboços das catedrais.

Majestosas

Imponentes

Procuram nelas, os homens, aconchego para a solidão!

E esta luz a iluminar o templo. Este céu a aspergir de claridade o corpo dos viajantes

Há nestes traços o convite enigmático para abraçar a plenitude.

Há tanta eternidade na gramática das cores. Tanto aconchego na semântica da luz.

São Gonçalves
Pintura- Edite Melo 


 Fala- me a palavra e o silêncio!


Escreverás desta sintonia de cores o enigma do fluxo terrestre. A força, a energia, a explosão do universo!

Escreverás a simbologia da explosão inicial! Um gume luminoso a cortar a escuridão dos homens!

Mas é de ti que se solta esse grito mudo! Essa força incontrolável de quem não sabe calar a dor e a alegria de viver no meio das convulsões da existência!

Com a cor expandes o fulgor em traços profundos e assimétricos. És raio solar, energia profunda!
A matriarca da força que gera luz e vida.

São Gonçalves

Pintura- Edite Melo 


 Alinham- se silhuetas num espaço infinito. Mãos erguidas ao céu!

O clamor é surdo! A humanidade em busca de sentido.
A oração transborda do silêncio em ondas de azul cobalto!

Na simbologia da transformação há um caminho que se percorre entre o profano e o sagrado.

Profunda a densidade do traço. Amplificado o gesto , emergem da cor catedrais góticas!
Entramos nelas para contemplar a luz, semeando nos altares a esperança de pertença a um designio maior! Aplacando as dores invisíveis da alma.

São as mãos que re-significam o silêncio.

A dor profunda e calada a dar lugar à plenitude do Ser.
São as mãos que tecem a urdidura dos dias. Pedaços de terra a simbolizar a condição terrena.
Rios de cor azul a conduzir o homem ao sentido mais elevado do absoluto!

São Gonçalves

Pintura- Edite Melo

Surgem cidades do meio de vazios insondáveis!
Tanto silêncio a marcar o tempo e o espaço!
Não sei se o som que se ouve ao longe é o sussurrar de uma oração. Um mantra a marcar os passos dos homens!

Faltam- me os signos linguísticos para nomear o som do silêncio!

Pudera , eu, abraçar-te nesta lonjura imposta pelos Deuses.
Caminho entre um silêncio de pedras.

Só me resta este diálogo constante entre a densidade das cores e as vozes da cidade.
Como a pauta de uma sinfonia , as cores vibram de emoção.
Falam, transmitem!

Sons ascendendo o espaço em que me encontro, me perco e re(encontro )
E a cidade silenciosa escuta, abraça.
Transmutação a vibração em luz, energia cósmica!

São Gonçalves

Pintura- Edite Melo
 

quarta-feira, 25 de novembro de 2020


 Sentiu na palma das mãos toda a energia do universo

repousou os sentimentos na claridade das estrelas
e terminou abençoando os deuses
escondidos do outro lado dos planetas.

Sentiu por baixo dos pés descalços
a areia morna entranhar-se na pele
o calor imenso do ventre do mundo
lavas ardentes, entranhadas nas rochas.
A enorme força da terra escondida debaixo
das cinzas dos vulcões.

Envolveu- se na silenciosa conjugação dos astros
abraçou num longo abraço a terra, o mar, a densidade lunar
E no caos interior dos corpos observou toda a finitude da existência.


 O que diriam os Deuses, os mitos, os fundadores das grandes filosofias ancestrais se nas cores sentissem transfigurada a sabedoria do mundo?

Contemplo a cidade abandonada e procuro nela um refúgio.
No silêncio crepuscular sinto- te presença, habitáculo da esperança, luz protectora no desamparo.
Somos almas em sintonia!
Herança de um passado longínquo!
Na cor, no traço, na transmutação da mensagem semiótica, há a sombra e a luz da natureza divina.
A arte ao serviço da imaterialidade do pensamento. É nesse espaço, silencioso e imutável que nos cruzamos.
Duas linguagens a completar- se.
Sintonias antigas a surgir na ponta dos dedos. A cor e palavra a desenhar um mundo e a cidade de pertença.
Sinto que já fizemos parte desta paisagem.
Fomos vida, forma, espírito.
Volto sempre a estas e a outras tonalidades que na abstração do pensamento materializas. E, nesse espaço, sou luz e sombra. Passado e futuro.

Encontro- me silenciosamente no teu mundo abstracto e profundo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020


 Há tanta serenidade no silêncio !


A claridade luminosa no murmurar de um oceano de águas cristalinas !
Procuro a paz nas coisas simples !
No brilho do olhar de um amigo. Nas páginas de um livro a descobrir.
É na sublime presença dos raios de luz matinais que a vida ganha sentido.

Há tanta serenidade na conexão com a natureza!

Contemplo as diferentes tonalidades do verde. Escuto a musicalidade das formas.
A profundidade sombria a contrastar com a sobriedade clara à superfície das vagas!

Diria que tudo se explica na simbologia das águas, na linguagem mítica dos oceanos.

domingo, 22 de novembro de 2020

Soubéssemos antecipadamente das vagas e das marés, nunca mais haveria correntes de distância no nosso destino

diríamos deste azul cobalto a presença da ternura. Essa expressão cromática dos nossos silêncios. E nas palavras que tão bem conhecemos

diríamos, também, que a viagem é feita no interior das almas. Matriz de um mundo tão íntimo, tão verdadeiramente nosso.

Contemplo a cor, o ritmo, a cadência, a fragilidade do gesto, a musicalidade das formas.

Sei de nós presença tão expressiva na simbologia de renascimento. Água pura que transcende a imensidão do oceano. Elemento que cura, ilumina e abençoa.

Sei desta caminhada no coração dos mitos e dos arquétipos de redenção. Sei de nós na procura da palavra certa para dignificar o sentido da vida.

São cristalinas as águas em que nos movemos.
É de azul cobalto o teu coração que ama e acolhe. É de luz o meu olhar contemplativo.
 


 Silente o rumor da luz. A energia do universo a abraçar as profundezas do Ser, o azul dos oceanos.


São tão profundos os desígnios da cor!

Cintilantes as estrelas que iluminam as noites e os temores dos homens!
Num espaço imaginário depositamos as orações aos deuses.

E o caminho faz-se de dentro para fora. Da matriz onde a luz é mais intensa. Como uma benção depositada num altar!

Os homens esquecem as longas noites de exílio. A luz tênue conduz os seus passos!
Mil mortes se fizeram! Com mil renascimentos se descobriu o sentido da vida. Tantas metamorfoses!

Repara, só o amor transforma as almas!


 Fulgurante o bailado das águas

Os traços de luz girando
Na força do vento
Na etérea magnitude do universo!

Corpos azuis dispersos
Na superfície aquosa, branca
Imagens líquidas
Flutuando no espaço.

Na continuidade da metamorfose do Ser!

Aquieta -se a razão por momentos,
Aspira-se a cor e a luz
Esquece- se a tragédia da vida
Abre- se uma brecha no lugar da noite!

Intensificam -se os sinais e os signos,
Acalma -se o fervor das águas, das tempestades, dos pensamentos
Abre- se a consciência do devir temporal!

E volta - se ao sentido primordial do mundo. Ao clarear das sombras.
Ao mistério dos Deuses!



 Ainda que a angústia e o medo se manifestem no silêncio das ruas, ainda que os homens sejam momentaneamente obrigados a refugiar- se dentro das paredes de betão. Ainda que tudo isto pareça um desígnio dos deuses, um romance de Kafka ou filme de ficção científica...

O mar contínua a mostrar a sua força e a sua beleza.
Matriz da terra, ventre que acolhe e embala. Símbolo maior de renascimento e redenção!
Luz que ilumina, benção que protege!
Lugar protegido pelos deuses.
Templo de Neptuno!
Descanso de Cronos!
Ritual pacificador dos homens!


 Entre nós a distância!


As bocas fechadas, um rumor de vazio insondável!
Dois mundos que se procuram, se aproximam e se afastam!
Medo, lucidez!
A vulnerabilidade de um destino!


 Subtrai- se ao arquétipo do silêncio a palavra inaugural da luz! A génese indizível do cosmos e do tempo!

Das mãos do artista há todo um mundo que ressoa no cromatismo e na vibração im-permanente da cor.
Na sombra negra, o inicio da tragédia humana, a forma inicial da condição do homem e dos seus desígnios. Luz e sombra! Vida e morte! Perdição e rendição!
Rituais a circunscrever o lugar do sagrado e a inexorável passagem do tempo no coração dos homens.
Na imensidade do azul um feixe de luz abraça o olhar. Evocação do espírito!
A manifestação do divino que se impõe na abstração das formas e na simbologia da palavra.
A manifestação visível, intocável, porém, da face etérea e material da vida.
Luz e sombra, dor e paixão!
Substância da alma e da realidade.

Na cor, na harmonia das formas , o encanto da luz e o gemido da dor.
Apolo e Dionísio a marcar os mistérios da alma, da tela e do poema.