O silencioso canto das aves migratórias

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domingo, 29 de julho de 2012

Afasto-me dos ruídos do mundo

no silêncio do deserto

na imensidão dourada

... das areias quentes

matar a sede de palavras.

De rosto escondido

parto....

e caminho nas linhas

de um livro escrito

por ti...por mim...

Não ouço os sons do mundo

sou apenas eu

neste deserto

de vidas humanas...

A brisa acaricia-me

o corpo

são brancas

as sedas que me

cobrem a pele

mas é de mundo

que alimento a alma

neste deserto

de areias douradas

nesta solidão

de mundo.

Não tenho sede

tenho-te a ti

por inteiro

as palavras

alquimia das lezirias

sem nome

alimento místico

que me sacia a fome.

São Gonçalves.

domingo, 22 de julho de 2012

No descampado o silêncio

das palavras inúteis

a vertiginosa solidão
...
das searas maduras

a sede da terra

ansiando a monção

em corpos verdes

olhando o reflexo

do mundo

num quadro antigo

num reflexo


 
sem espelho.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

..caminhar silenciosamente e encontrar o equilibrio entre a terra e o céu,entre o corpo e o espirito....porque estas são as cores que nos prendem à terra e as que nos elevam a alma...

São Gonçalves

domingo, 4 de março de 2012

Já não desço as montanhas

já não sulco a terra

do centro das entranhas

... sou hoje o caudal denso

e farto de um rio

a serenidade das águas

na meia estação

vestida de verde

esperança renascida

correntes intensas

no sopé da vida.

São magestosas

as pontes que me abraçam

passagens aérias

nos céus desta cidade

e do casario plantado

nas margens do meu leito

cores vivas do mundo

erguidas nas encostas

do meu rio

pedaços de gente

fragmentos de tempo

memórias sem idade.

E a foz ali tão perto

águas mansas

abraçando o mar

e a paz

no convés de um navio

invisível da terra

neste meu longo

caminhar.

São Gonçalves

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


Mascaras de vida.


Fixo o olhar nos teus olhos

... escondidos na brancura

do teu rosto de traços

finos e bem delineados

imaculadas

as vestes ,os adornos

a capa,o chapéu

a lembrar as superfícies

montanhosas.

Fixo o olhar nos teus olhos

escondidos no imenso

véu de neve

são profundos e tristes

são a expressão escondida

nas cordilheiras

da vida.

Sombras escondidas

vigiam-te através de espelhos

invisíveis,desfocados,

passas por eles

desconheces os símbolos

as imensas silhuetas

dançando ao som

desordenado das musicas

carnavalescas

e continuas silenciosa

atenta e misteriosa

fixas no olhar

triste e doce

com que me olhas

debaixo da mascara

com que escondes

a vida.

São Gonçalves.