O silencioso canto das aves migratórias

O silencioso canto das aves migratórias
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terça-feira, 4 de abril de 2017

Escoam -se os dias num deslizamento continuo, luzes e sombras a ecoar num espaço de silêncios alquebrados. Para que que servem as horas e o tempo? Pergunto: 
E a sabedoria milenar das árvores responde num tom de silêncio a escorrer das ramagens despidas do inverno!
Esquece o tempo e as palavras; dos homens aprende apenas a sabedoria do silêncio e a nascente, a fonte do amor e de energia.

São Gonçalves. 

Foto António Mattozzi.

domingo, 15 de novembro de 2015

Contra ventos contrários e marés adversas, caminho
Sou a força solitária dos meus passos
A eterna procura do devir num céu de cores claras, os meus olhos sorriem ao mundo, nada me demove de cruzar ventos e marés.
Não faço parte de grandes comunidades, nem sou figura presente nas festas mundanas .
O meu destino é a solidão das palavras, um mundo de tantos silêncios gritantes. 

Eu sou parte deste céu, deste vento
Deste marear de sentidos e de medos.

São Gonçalves.
Foto - António Mattozzi.

domingo, 8 de novembro de 2015

Não há estranheza nas sombras da tarde, apenas a complexidade da luz exala um perfume de paz. 
Não há escuridão sem a presença da luz, essa dicotomia de almas inquietas. 
Até a cidade brilha quando a claridade a abraço num abraço silente, pejado de ternura. 

São Gonçalves. 

Foto - António Mattozi
Não são só de pedras e de arquitecturas ancestrais pelas quais olhamos os dias. 
Há na vigília das vésperas um olhar novo, uma cor de outono a perfumar os desejos e os ensejos .
Há um mar dourado a brilhar na transformação dos passos. 
Há a transição das luas num equinócio ausente. 
Há um espelho de luz a iluminar as trevas. 

São Gonçalves.
Foto - António Mattozzi
Esmaecida a tarde alonga -se no leito do mar
O sol desce lentamente
Sangrando as dores do mundo 
Esquecido do calor da tarde 
Reflexos das sangrentas 
Lágrimas

Há uma cigarra que canta
Uma gaivota que voa

Tão negras as grades
Portas semi abertas ao mundo
Dos homens

O sol que parte na sua sangrenta
Visão do mundo
O cântico da cigarra
Se esvanece no murmurar das vagas

E o mundo acorda no dia seguinte
Fechado dentro
Das grades negras
E imóveis.

Apenas fica o a beleza do silêncio entre o canto da cigarra
O murmúrio das vagas
E os espaços abertos das grades
Viradas para o mar.

São Gonçalves.

Foto - António Mattozzi .

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Caminho devagar, no silêncio milenar das pedras, assento os pés e o cansaço, na moradia ancestral dos velhos desassossegos, encostada ao mar, abrigando histórias infinitas. 
Na passagem do teu ventre, a esperança ,essa árvore viçosa que cresce em silêncio, esse murmúrio de mar cantado horizontes infinitos. 
Já não há passado, nem futuro, as vozes já não ecoam no promontório dos desejos.
Deixei - me ali ficar, no momento presente
Apenas ouvindo os ecos do vento, longe dos olhares do mundo, a melodia das folhagem assobiando no tronco do encantamento
Abriguei -me dos medos
Dessa fragilidade momentânea e cruel
Agarrei -me a ti com toda a energia do mundo
Árvore mensageira do infinito
Voz da mais clara madrugada
Segredei-te os meus anseios
Implorei bênçãos às Deusas da terra
Ouvi-as cantar uma doce melodia de embalar. ..
Senti no meu rosto o toque subtil do azul, a força do céu, a vastidão do oceano
E a transformação do tempo em harmonia infinita.

São Gonçalves. 

domingo, 8 de dezembro de 2013

Foto-Antonio Antonio Mattozzii.

Amanheço na calmaria de um mar negro
nas longas vagas estendidas num leito 
de sombrias e imperiosas palavras.

Alcanço o sonho ,mas não o sinto
no tactear das manhãs.

O céu alberga a horizonte o nascimento
da luz na palma das mãos.
Sinto a brisa leve acariciar as cores ténues
fragilidades dispersas na imensidão do mar.

Mar negro que me embala
e me desperta da sonolência das horas incolores.


São Gonçalves

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Foto-Antonio Mattozzi.

Inabalável esta paz que desce agora sobre mim
neste silencio de vozes ausentes...tão ausentes
Tão silenciosamente guardadas algures 
numa ilha escondida nas brumas.
Impenetrável este meu mundo vestido de azul e branco
esta minha sede de me unificar a beleza infinita do mundo.
De marés e de mares escrevo em palavras
o dessassego dos dias
afundo-me nas entranhas de um oceano vasto e profundo.
azul sempre azul
a superfície onde me repouso agora.
Não me assusta a solidão do meu canto
Não me abato neste local isolado de mundo
de vozes alterando o encanto das águas.

Ah! Como me sinto tão em paz neste lugar seguro
Ah! Como renasço no azul do céu e do mar
e no branco das asas de uma gaivota fugidia.

São Gonçalves

domingo, 21 de abril de 2013

Foto- Antonio Mattozzi.

Quando os amigos partiram,eu fiquei ali olhando o mar

a doçura ausente dos abraços cantada no murmúrio

... das ondas calmas,como calmas eram as lágrimas

descendo do meu olhar.

Quando entendi o vazio ,eu fiquei ali olhando o mar

a caricia do vento ,num eterno olhar o horizonte

e continuar a amar o mar.



Era então manhã clara quando a distancia

me fez olhar o mar

e o areal longinquo ,esperando

o meu regressar.


São Gonçalves.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

 
 
 
 
 
 
Foto-Antonio Antonio Mattozzi

Na fragilidade da sombra antecipa-se raios de luar

na suavidade de um corpo esguio
...
flutuando no espaço enegrecido pela noite.

Canta-se ao mundo trovas ao amanhecer

e nos dedos uma nota suave de um violino

ecoa na noite.

Suave esse cantar de esperança que acorda

na fragilidade do luar.


São Gonçalves

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013



Foto- Antonio Mattozzi


Tudo se torna mais leve com a mão de um amigo.

São Gonçalves


Foto-Antonio Mattozzi

... albero solitario che circondi il tuo spazio e non lo condividi, che tagli la nebbia con dita acuminate, rifugio al falco di passaggio; e nelle notti chiare e serene fai l'occhietto alla luna. (AM)



. árvore solitária que envolve o teu espaço e não compartilho ,corto essa névoa com os dedos afiados , retiro-me como um falcão de passagem, em uma noite clara e serena pisco os olhos para a lua. (AM)


...
Nesse olhar reitero o silêncio e o som,a nostalgia da névoa clara que esconde a passagem do tempo.

A névoa da memoria e da saudade trespassando o coração e a memoria das coisas.

Subitamente o tempo para , o rosto cinge-se num manto de esquecimento.

Golpes diários escurecem os passos, e mesmo que ao longe te veja partir

restam-me os restos da sombra,a luz da lua,a esperança que o voo

ainda seja de chegada.



São Gonçalves
 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

"Um sonho de um voo que atravessa a mente...


e depois reencontra-se a voar...

e segue o curso do rio..."

...
António Mattozzi.



Seguir com o olhar a ave que voa a horizonte,procurar-se na litania da horas que se contam pelos dedos e voltar sempre ao mesmo lugar.

Ao lugar de todos os possíveis reencontros,nas manhãs vestidas de brisa fina,encobrindo a paisagem que encanta o olhar.

Mesmo assim,belo o madrugar nestas paragens,onde alma nasceu.

Este não seria o paraiso,nem o palco de todas as metáforas,arrancadas a um mundo imaginário.

Este seria apenas o berço ,a canção de embalar ,sussurrada ao ouvido nas primeiras manhãs de primavera.

Impetuosa a vontade de seguir o curso de um rio desconhecido e voar

Rasgar o céu,quebrar as vozes na transparencia do nevoeiro ,na incandescente ternura que assombra os sonhos de partir.

Partir,seria o verbo incondicional,a vontade lógica de acordar na lonjura de um porto desconhecido.

Entre as margens de um rio e as águas estagnadas há uma luz que brilha no coração da vontade impetuosa de vencer,esquecer os preconceitos,a raiva escondida ,uma vontade crua renascente na dureza da terra alongada nas correntes do pensamento .A sombra será sempre essa vontade de voltar ao lugar do desencanto,as águas estagnadas da memoria.

Recuar no tempo não será nunca a solução.

Apesar da beleza intrínseca e surreal,a luz que brilha a horizonte ainda se impõe,carrega nela a vontade de seguir em frente...

São Gonçalves.

sábado, 21 de abril de 2012

Escrevo o mar e a cor do fim de tarde

as águas mansas ,silenciosas ,cavalgando

... ondas baixas,beijando a areia...
...
e a vida ali ,desenhada ,entre as pedras

e o leito de águas prateadas

e todo o sentimento deslizando num céu

bordado a algodão....

escrever assim a vida,a minha ,a tua

deslizar na pontas dos dedos

vocábulos escolhidos no dicionário

da vida vivida,e navegar num barco

construído nas tábuas dos dias.

e este mar ,este mar tão nosso

a nostalgia estendida nas águas

a memória trazida em vagas sucessivas.

Confudo-me no mar,na alma do poema

na eterna lonjura das estações.

Do lado de cá,escrevo mar

a ouro e prata

oceano bordado na pontas dos dedos

imperturbável magia

da passagem dos dias.

São Gonçalves.