O silencioso canto das aves migratórias

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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Dueto C/São Gonçalves (2013)

- Aproxima-se a noite e eu contemplo o céu, a imensidão do mundo, e tantas tempestades adormecidas neste céu rasgado de magia. Os temporais acalmaram o desejo, apenas percorro a via-sacra da vida, para que dela renasça mais forte e mais serena.

- Impetuoso o gesto perecido no além. Mereceu tudo e nada lhe foi doado a não ser a dor da partida, sem conhecer a verdade do aquém. Rompe as nuvens com desdém e alcança o mar acetinado onde a partida já foi chegada. O dia já nasceu na noite. Na noite nascerá o dia. Percorre todos os trilhos das baixas marés em absoluto silêncio. Ouve-se agora o som eterno da alvorada.

- Encosto-me ao parapeito do tempo. O meu corpo abriga-se nas encostas e a alma cede ao desejo de mudança. Os cansaços dissipam-se nesta grandeza infinita e as vozes calam-se quando a brisa do vento me acaricia o rosto.

- Correm rios no teu corpo. Descansa agora, enquanto o sono não vem. Já o toque às almas aconteceu quando o sol se pôs. Nada se afigura distante. Só o Universo é grato pela luminosidade crescente em cada corrente que trespassa o véu que te enlaça.

- Voluntário o desejo de transformação que se aninha nas dobras dos dias. Invento e reinvento amanhãs promissores. A vida decorre sempre entre as madrugadas e as noites que se consomem pausadamente, sem pressas.

- Se todas as manhãs fossem só tuas, serias o tempo de mudança a madrugar nos teus olhos. Mas quem sou eu, se não uma força a caminhar contra o tempo? Se conseguíssemos acomodar o tempo no nosso pequeno mundo, já teríamos dado graças a Deus por termos em nossas mãos, o mundo.

-A paz como alimento das noites é o consolo que ainda me resta neste tempo incerto. Na minha pequenez colho do tempo o que ele tem de mais belo para me oferecer. Nem sempre me afasto das sombras, nem sempre me protejo dos temporais. O céu ora se tinge de negro, ora se aclara de luz.

- E nesse meio tempo, as luzes acendem-se em todos becos onde te escondes. Será sempre um dia ou uma noite a menos nos nossos sonhos. Sabias de um tempo em que se colhiam orquídeas brancas nos matagais?

- Nesta encosta acompanho os movimentos que transcendem o espaço e por vezes se elevam acima das luzes frágeis da cidade. Apenas as clareiras que se avistam
num horizonte a perder de vista, me trazem a luz tão desejada nas noites de procura.

- Existem credos em todas as orações. Crer num espaço inédito e criar nele um campo de visão obrigatória para lá, é ter fé na nossa fé. A minha cidade sabe de todos os becos escuros e sombrios, e eu nada sei da cidade. Só vejo daqui as luzes ainda reflectidas nas águas do Tejo.

São Gonçaves vs Epifania(DM)

domingo, 19 de janeiro de 2014

FotoJosé Luis Almeida Albuquerque.

- Aproxima-se a noite e eu contemplo o céu, a imensidão do mundo, e tantas tempestades adormecidas neste céu rasgado de magia. Os temporais acalmaram o desejo, apenas percorro a via-sacra da vida, para que dela renasça mais forte e mais serena.

- Impetuoso o gesto perecido no além. Mereceu tudo e nada lhe foi doado, a não ser dor da partida sem conhecer a verdade do aquém. Rompe as nuvens com desdém e alcança o mar acetinado, onde a partida já foi chegada. O dia já nasceu e na noite nascerá o dia. Percorre todos os trilhos das baixas marés, em absoluto silêncio. Ouve-se agora o som eterno da alvorada.

- Encosto-me ao parapeito do tempo. O meu corpo abriga-se nas encostas e a alma cede ao desejo de mudança. Os cansaços dissipam-se nesta grandeza infinita e as vozes calam-se quando a brisa do vento me acaricia o rosto.

- Correm rios no teu corpo. Descansa agora, enquanto o sono não vem. Já o toque às almas aconteceu quando o sol se pôs. Nada se afigura distante. Só o universo é grato pela luminosidade crescente em cada corrente que trespassa o véu que te enlaça.
- Voluntário o desejo de transformação que se aninha nas dobras dos dias. Invento e reinvento amanhãs promissores. A vida decorre sempre entre as madrugadas e as noites que se consomem pausadamente, sem pressas.

- Se todas as manhãs fossem só tuas, serias o tempo de mudança a madrugar nos teus olhos. Mas quem sou eu, se não uma força a caminhar contra o tempo? Se conseguíssemos acomodar o tempo no nosso pequeno mundo, já teríamos dado graças a Deus por termos em nossas mãos, o mundo.

-A paz como alimento das noites, é o consolo que ainda me resta neste tempo incerto. Na minha pequenez colho do tempo o que ele tem de mais belo para me oferecer. Nem sempre me afasto das sombras, nem sempre me protejo dos temporais. O céu ora se tinge de negro, ora se aclara de luz.

- E nesse meio tempo, as luzes se acendem em todos becos onde te escondes. Será sempre um dia ou uma noite a
menos nos nossos sonhos. Sabias de um tempo em que se colhiam orquídeas brancas nos matagais?

- Nesta encosta acompanho os movimentos que
transcendem o espaço e por vezes se elevam acima das luzes frágeis da cidade. E apenas as clareiras que se avistam
num horizonte a perder de vista, me trazem a luz tão desejada nas noites de procura.

- Existem credos em todas as orações. Crer num espaço
inédito, e criar nele um campo de visão obrigatória para lá, é ter fé na nossa fé. A minha cidade sabe de todos os becos
escuros e sombrios, e eu nada sei da cidade. Só vejo daqui as luzes ainda reflectidas nas águas do Tejo.

São Gonçalves / Epifânia

sábado, 11 de janeiro de 2014

Vi-te chegar tão devagarinho, que quase sumias por entre as luzes que me visitam nas noites em que escrevo palavras soltas ao abandono. Será que alguém lê e as entende? (Penso que serei assim uma espécie de estrela a luzir ao fundo do túnel mas que ninguém vê, nem mesmo se me tornasse céu). Seguem rumos diferentes quando as despejo nesse céu de estrelas reluzentes, que se queixam de tanto céu e pouco sol. A Lua ainda se encontra imobilizada na estação anterior, encalhou na madrugada e as estrelas rumam por caminhos incertos neste mar onde as palavras se gastam e se consomem de tanta dor, tanta tristeza. O amor é já o ponto de passagem para a outra margem. É lá que me encontras se conseguires transpor esse muro de palavras gastas, de vocabulários mais que arrastados pelas marés. Levantei voo rumo ao ponto onde acordámos que faríamos a história nascer de novo e tu ficaste preso no mar alto. Esperas que as musas te assaltem de sobressalto, e não vês que na profundidade dos meus olhos, está uma vida que assenta nos mais altos ideais, rumo a outros mundos onde o abraço se quer sempre laço até ao fim do caminho. Serenar o espírito, encontrar-me entre um e outro mundo que se encosta às margens onde já me encontro, é o início da última jornada.

Espero por ti!

Dolores Marques.

(ÀS Escuras Encontro-te - Editado pela Temas Originais"





Agarra-se a vida com mãos firmes
renasce-se nas noites de insónia
no soletrar das palavras
imensas e generosas ,em rios serenos.

Entendo o mundo nas partículas mais invisíveis
e li todos os renascer nas auroras sombrias e claras.
,As tuas mãos calejadas
já sentiram o renascer das horas em todos os sentidos.
A tua historia não se escreveu apenas em palavras
sentis-te a noite percorrer o corpo
a sensualidade vertiginosa instalar-se nos lençóis brancos
eram rios tumultuosos a desaguar num corpo se mi adormecido
e do sonho escreves-te um livro.
Aprendi o caminho do equilíbrio nas tuas palavras
eram vozes do silencio que me chegavam aos ouvidos
e senti-te na poesia ,caudais de rios transbordando as margens do sentir.
Sentir ,apenas sentir o que não se lê nas palavras
das tuas mãos conheci um novo renascer.

No silêncio da noite a procura ,a imagem de um caminho que tem de fazer
para dentro ,sempre para dentro,às escuras do corpo,àas escuras do mundo
encontros secretos de ser tatuadas na alma
a vertigem na desordem do mundo
na pequenez das palavras jà gastas e moribundas
onde apenas os encontros se revelam furtivos
do outro lado da imaterialidade das palavras.

São Gonçalves.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012


No chá de Deus.





...
- Desde ontem que só sinto frio. Um frio estranho, como se o meu corpo estivesse nu, apesar de ter já 2 camisolas um cachecol, meias e botas.



- Hoje também o sinto eu. Este frio já me deixa receosa do inverno que vem por aí.



Eu sempre preferi os lugares quentes,onde não tivéssemos que aquecer o corpo mesmo quando chegassem os invernos...mas este que ai vem congela-me os sentidos,o pensar.

a alma gela-se e como um pedaço de gelo ,cristaliza-se nas longas noites incertas.



- Dizem que os invernos são fartos, quando se tem frio.



- Dizem? Será por isso que tapas e destapas o frio, consoante a leva que o leva e o traz?



Dizem as bocas que já se habituaram a tantas estações que já muito pouco lhes altera os corpos,calejados do tempo e dos ventos agrestes.



- Sim, nem sei onde ouvi isto, nem que frio estranho é este meu. Não sei. Nunca o senti nos anos anteriores nesta mesma data.



- Será que o sol já derreteu todos os glaciares e deixou-os por aí ao Deus dará?



Será que o diluvio ainda estará para chegar?Quando as neves de todos os continentes gelados encontrarem a rota desconhecida.Será que o Divino ainda nos ofertará mais esta derradeira provação...sobreviver ao diluvio do tempo e ser capaz de encontrar novos caminhos,novos trilhos.

Será que depois uma águia negra ainda sobrevoará as nossas cabeças exaustas das ultimas tempestades,mesmo depois do diluvio....



- Deus criou o homem à sua imagem, mas a imagem do homem ainda não se parece com Deus.



- Meu Deus! Que frio é esse que te condena a seres mais um cubo de gelo no chá de Deus?

(...)





(Dolores Marques - Epifânia & Ainafipe – Ao espelho)
(São Gonçalves)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Os sorrisos e as palavras


Os sorrisos e as palavras

"Serei sempre a parte que doarei inteira num mundo obscuro de formas e lugares, entre os demais que me quiserem seguir, serei sempre o centro, onde reside a vontade, mesmo que anulada ou estrangulada, até que me ouça num novo mundo, até que me distinga eu e só eu, na verdade das palavras ainda por escrever."




E é este o mundo onde nos perdemos ou nos encontramos,onde somos o centro de tudo e nos renovamos nos silêncios até ao momento onde as palavras renascerão mais belas ,onde os sorrisos e os afectos se sentarão a mesma mesa e as palavras se ouvirão de uma só voz,cúmplices no desejo se darem as mãos e se tornarem unas,neste novo mundo.



"(Caminho com elas ao teu lado, para que me decifres na quietude de todas as palavras que se encontram disponíveis, para que no silêncio, se renovem e se expandam através da criação de outras que ainda falta escrever)."




É esta a viagem que empreendo aqui neste momento e neste tempo uma viagem ao mais profundo do meu silêncio,onde as palavras se escondem,e onde eu,as procura para lhe dar luz e sentido ,e as traga ao meu viver plenas de vida num momento de rara inspiração.
E nesse momento já não mais as sentirei moribundas,mas ao contrario ,plenas de vida,de luz ,de sabedoria,como esse sorriso vindo longe.E então as palavras serão uma eterna descoberta de mãos dadas com os afectos.


Dolores Marques/São Gonçalves