O silencioso canto das aves migratórias

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domingo, 12 de abril de 2015

"Filha sou do mar
que me trouxe à praia sentada nas ondas
vestida de algas e anémonas.
O vento é o meu corpo
que se une ao rochedo maior
numa noite de maré vaza."
Lilia Tavares

De ondas te vestes nas manhãs claras
a poesia da maresia branca
nos cabelos ondulantes, poemas ondulando
filhos do vento, nascidos de ti.

São Gonçalves.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

"Canta o silêncio da adoração
E pousa em mim a alegria
Como se não existisse tempo."

Fátima Guimarães.

Com o silêncio renova a exaltação da vida
o encanto das horas de meiguice
recolhe no meu colo toda a ternura
o desnudamento de um simples gesto
como num sonho de metamorfose.

Esquece as horas e sente a renovação do gesto
na doçura amena da primavera.

São Gonçalves

domingo, 8 de fevereiro de 2015

"podia dizer-te que os dias se esqueceram de nascer
mas o orvalho das manhãs não desiste da folha verde
e as águas do rio não se cansam de embalar as barcas"
João Carlos Esteves"

podia dizer-te deste dias cinzentos colados à pele
nesta vontade intransigente de tudo abandonar
do cansaço do corpo,das vozes ausentes

podia dizer-te do medo das sombras
da fragilidade da neblina tocando o meu corpo
das manhãs frias onde acordo ,exausta

mas a pureza da neve equilibrando-se na fragilidade
dos galhos despidos impele-me a avançar.

São Gonçalves.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Foto-dolores Marques.

…)Este contraponto do dia a marcar pontos nas horas, este culminar da noite na mudez de um silêncio extra vagante e o versejar quase imediato, determinado a afrontar silêncios nocturnos…Um oásis pronto a cair de vez nos seus olhos. 
Havia um longo caminho ainda a percorrer, sem tempos marcados, onde só a alma assume de vez o comando no escuro.
Dolores Marques-Onix

Havia caminhos de luz e de sombras,de enigmas seculares a alastrar na alma presa agora num corpo novo,novos eram também os desejos,as palavras a brotar de uma fonte pura.Pudera ver-te ainda com a claridade de outros tempos,pudera resgatar da memória essas viagens de um outro momento.
Este é agora um tempo renascido ,como nascentes são as palavras que nos vestem os dias,ora silenciosos e escuros ,ora brilhantes e plenos de luz .
Os silêncios já não ferem,os atalhos já não me levam por caminhos errantes;necessários são os momentos de solidão onde uma pequena luz entra e ilumina os pedaços de memórias.
Viajamos agora por entre palavras silenciadas ,os gestos não se escusam de
ternura,trazes-me nas mãos uma púcara de água fresca,da fonte de vida que te viu nascer.O granito das terras altas preenche acalma-te , revela-te, e eu continuo a ser o rio que corre mansamente das águas de uma fonte inesgotável.

São Gonçalves.
Se o universo e o tempo forem finitos,a partir desse momento
infinito será o silêncio...
Jc Patrão.

Infinito será o silêncio
A magnitude dos gestos
As palavras guardadas
Na imensidão
Das chuvas de inverno.
Pudera eu eternizar
Um só vocábulo
O significado da vida
O vazio que nunca se sente.
Pudera eu apenas soprar
Com um sopro de ternura
A palavra
Gratidão!

São Gonçalves

domingo, 18 de janeiro de 2015

A poesia é a melhor terapia da alma, é ser leve e libertar as emoções para que outros se encontrem nelas também.
Ana Coelho

Nas palavras nos encontramos,uma imensidão de vocábulos que guardamos durante séculos,
tu,eu,os silêncios que guardamos nas entrelinhas de um poema
as mãos apartadas,os corpos cansados da luta
o desencanto dos dias,a memoria cravando na alma espinhos profundos
o silencio das palavras,
a luz que brilhava algures ,desafiando o tempo,o espaço
desafiando a vontade,o saber,o medo.

Na poesia nos encontramos,almas algemadas ao silencio cativo dos dos dias
as imposições de uma realidade muda,presa a convenções,a preconceitos...
caminhos de luz a desbravar,atalhos provocadores da alma peregrina.

Um dia ,já tarde,quando a luz começa a declinar ,o corpo cansado,o silencio se fez voz,a inquietação aquieta-se a um novo modo de caminho...
Na transgressão das normas impostas
libertamos as palavras ,a alma,e a poesia vibrou emoção.

São Gonçalves.

sábado, 17 de janeiro de 2015

É instável o equilíbrio entre a sã loucura e a doentia lucidez.
Rita Pais.

Serena-se o olhar de tanto ver,de tanto perscrutar
o mundo, a vida,os homens
O equilíbrio tangente num fio de luz !

Organizam-se os desejos,as virtudes
a vontade de loucura
aquele que me faz ser destemida
sem barreiraras nem freios!

Ou a imagem da lucidez amarga
sem luz,sem encanto!

Serena-se o olhar
na distancia que me abraça a liberdade.

São Gonçalves.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Foto-Ekhart Tolle.

"Amanhece devagar como num sonho.
Há sempre uma janela aberta.
O escuro não permanece..
Nem a ausência...nem o silêncio.
Vamos partir para a luz."

Lilia Tavares-in Parto com os ventos.

Como num sonho despertamos devagar
devagar olhamos o mundo
a luz frouxa da madrugada
entrando assim,devagar
devagar esquecemos os vazios
respiramos profundamente
as palavras que acalentam a alma
devagar caminhamos
juntos,de mãos dadas.

São Gonçalves.

domingo, 23 de março de 2014

Por vezes absorvo sonhos através da pele e na ausência de lágrimas próprias escorrem-me da face na transpiração dos dias de chuva...
Jc Patrão

No prenuncio da primavera acordo na maciez da pele
na hibernação dos dias cinzentos
Intensa a chuva ainda cai
e com ela as lágrimas de que me esqueci
no tempo das emoções transparentes.

Em dias de chuva espero
os sonhos germinando o futuro.

São Gonçalves.
Antes de ser deserto... fui o teu vício.
Flauta de Pã

Azul o céu onde te perdias
o corpo envolto em sedas 
azuis sempre azuis
como o mar onde te perdes-te

e de repente o silêncio
a voraz passagem do tempo
o deserto seco
implacável

a mudez impenetrável
da ausência.

São Gonçalves
"Essa luz que das tuas palavras se desprende,
esse amanhecer febril do teu leito no meu ser,
a suave ondulação da semente no meu ventre,
cuja brisa exala a fragrância do sorriso, 
é o manto diáfano com que me guardo para o sono."

Margarida Afonso Henriques

Amanheço no teu corpo imaginado desejo
as cores de colibri cruzando o tempo
o vento sopra-me segredos
tantos os silêncios ,desvendados

amo-te ainda na penumbra das giestas
grito a dor que me fere o peito
e morro na beleza de um cântico
tal pássaro ferido
sei-te ainda em mim,nas noites do tempo.

São Gonçalves.
"o coração continua a cantar a música de que se esqueceu"
Flauta de Pã.

Tocam violinos no teu corpo
arrastam se vagarosamente na areia 
do bater das ondas na memória.

e a melodia que vibra no espaço é o som do coração
timbre na orla do meu vestido.

São Gonçalves