O silencioso canto das aves migratórias

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domingo, 23 de março de 2014

Revelo a minha alma ao tempo
Prolongando a aceitação do corpo no espaço
Agarrando os carris despojados de afecto
E dos prazeres que enfraquecem a mente
No Intenso naufragar na própria alma
Emaranhada de suicídio na frágil luta pelo belo.

E na nudez do olhar temporal de piedade
Desmaiando na poesia o áspero sentir
Dos raios de sol por testemunhar
Na composição emergida a duas cores no interior
De um templo que se queria florescer...

Desmesurada a enequivoca fragilidade do corpo
a nostalgia bordada nos contornos do espaço
um imenso temor da vida
gravado nas correntes profundas da viagem.

No teatro da vida o desespero
é também um poema no limiar da esperança
belo e perturbador
atira-se para o palco a nudez sem nome
o trágico do mundo ali exposto
num suicídio imaginado pela mão do poeta.

Não levantes o rosto enquanto eu escrevo estas linhas
abraça o abismo que se se abraçasses o mundo
aceita o papel já amarrotado do desencanto
e deixa o poema vibrar num intenso pulsar de vida
como se fosse libertar os medos
que guardas na beleza de corpo nu.

Arcano Lilàs&São Gonçalves.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Olho o futuro que parte de mim
na miragem de uma certeza,
inesperada a viagem
temerários os desejos involuntários
que se escondem na fragilidade dos passos
na conquista de tempestades e pousios …
...

Contemplo o mundo na aridez do deserto
na escuridão dos meus passos
neste templo de silêncios
e resgato das sombras
a imaginação inocente do mundo
que ainda irei descobrir...


O céu renova a cor das aves
que parecem fugir do seu ninho
sobrevoo-o na voz da noite
entre aromas e cores de um anjo
descanso do mundo ...


No momento que o vento me prova
e abraça forte no inesperado aproximar
da grandeza infinita que se move ,intenso
desse céu azul infinito...


Invicto ergo- me da copa das árvores
e vejo entrelaçado em nuvens
um mundo novo a renascer
gravitando em órbitas celestes
O reflexo vivido de uma alma
que ecoa versos
vulcão, moinho, chão, pedaço de mim...


No fundo do vale a real modificação
voa…digo…cria asas
rasga o mundo envelhecido
arranca das entranhas a coragem adormecida.
Segue para outra Cidade inóspita
abundantemente seguro...antes de terminar
tudo tem de começar...



Arcano Lilás&São Gonçalves.

domingo, 1 de julho de 2012

Foto.Kim Roi du désert



Solto o corpo, no espaço

No silêncio ardente da ira resistente

num corpo simbólico
...
previsível de libertação

na fragilidade antagónica

equilíbrios permanentes.


Fumo lento que alucina a pedra

numa cor âmbar no seio profundo

da mais alta meta do meu amparo

da busca valida na escuridão.

Traços de fumos turquesa

restos de mundo

bailando no vácuo

para num grito animal

cortar a frente do infinito.


Ao mais alto solto do corpo

e a claridade de uma lua

protetora das noites insones

e o espírito aguardando

resistindo a luta do mundo

num tapete imaginário

e voar…solta, modelada...

na escuridão da noite

previsível de libertação

na cicatrização de si

soltando-se num trapézio.


Movimento solto de criança

livre…dentro de mim.

Corpo e alma alargada e temporal

soma activa do corpo solto pelo

obscuro esquecimento de memória.

na escuridão da noite...


São Gonçalves/Arcano Lilas
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domingo, 22 de abril de 2012

Foto-Dasha Frièdlová.

Tal como o luar
domável âmbar
reflexo dos teus olhos
espelhos quebrados
... espalhados pelos cantos
do meu corpo
estável mas em tensão
esperando a luz da luar
luminosidade que nos acalma
raios subtis acariciando
pedaços de prazer
pedaços de dor.
E a noite morna e calada
esconde o amargo
do desgosto
o frio filtrado nas brumas
do desgosto
associado à acidez do limão
que fere os olhos de luz.
...mergulho nas carícias…
estudo o amarelo da manhã
no ânimo do teu luar
de alma nua
seduções vestidas
flores plantadas a meus pés
corpo aberto ...
.. ajoelhei e alimentei
esperança de um sorriso
que deslizava…
pelas frinchas da loucura
pela porta aberta
nas pontas dos teus dedos
ternura.

Arcano Lilás&São Gonçalves.
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