O silencioso canto das aves migratórias

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sábado, 28 de setembro de 2013

Voltas ao centro da terra
não esta, mas a que iluminas
no interior dos teus silencios
num ritual de equinócios repetidos
que se auguram na primeira vez,
em que contemplaste a luz do mundo
metamorfoses entre o corpo, a alma
sem religião sem credos definidos
nos corações da humanidade
mas na comunhão perfeita com os elementos da natureza....
São memórias que trazes decalcadas
no tempo das memórias
como as sombras
na corrosão do tempo....
Abraças solenemente o mundo antigo,
soltas-te deste presente,
num laço de magia, procurando a paz...
Convocas as forças divinas
parábolas e centenárias
que emanam das árvores,
as cores alternam-se em tonalidades,
na alternancia das estações
paletas sonhadoras,
apaziguadoras dos temores.
Esqueces então
a passagem terrena
sobrevoas o impossível
e beijas a tua mais fiel protectora,
a Deusa da humanidade
a matriz do mundo,
o teu ventre,
a Natureza envolvente.
Trazes no corpo e na alma
toda a resistência feminina
nas marcas das amazonas....

São Gonçalves&JC Patrão
Abaixo do meu plano
há um mundo cinzento
só de um sentido,
figuras perdidas
descendo a curva da vida
numa intensidade absurda
perdidos numa amalgama
de sons ,imagens,
segmentos obscuros
por onde seguem
peregrinos,
os escravos preferidos do tempo…



Afasto-me do caos das cidades
contemplo a vida vista de cima
sem medo ,longe da desordem
inconsciente do mundo
não me sinto insegura
neste esconderijo
sopro ...respiro...aspiro
desenho em círculos
a imaterialidade da vida
ascendo um pouco mais alto
a uma distância,
por vezes insegura,
sustenho a respiração
num sopro quente
enquanto guardo,
num balão de ar quente,
todas as minhas inconsciências…


Sinto me rainha do meu corpo
num equilibro abstracto
a vida...a morte...a imaterialidade
a passagem do tempo
guardado num só sopro
sopro leve quente...


Quente como eu.
rubro como o meu sangue
concentrado num balão de sentimentos.




Jc Patrão&São Gonçalves

sábado, 10 de novembro de 2012

Emergir no silêncio das águas
na profundeza dos míticos oceanos
e ouvir o marulhar das ondas
acariciando o corpo...

tocando levemente
as sonoridades que só eu componho
nos reflexos da superfície
onde por vezes vou respirar…
...

Vestida de segredos
acalento no peito a eterna
transformação da alma
no murmúrio do tempo...

Despida de vestes mundanas
mas ainda assim impossível
vislumbrar o meu corpo
de onde pendem ainda
rubras caravelas portuguesas…

Danço, danço a valsa da vida
em constantes mutações
esferas angulares
que guiam as novas estações...

Em círculos e elipses musicais
que se interceptam noutras danças
em que abro os olhos
a novas crenças para a existência
Não me permito perder
em dilúvios existenciais
enquanto for capaz
de ultrapassar
todos os naufrágios...

Poderei ser obrigada
por deuses e intrigas
a afundar-me sem ternuras
nem avisos do além
mas viverei ainda assim
debaixo do Mar…

São Gonçalves / Jc Patrão

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Num corpo desnudo
sem trunfos nem promessas
sem pinturas detalhadas
ou cicatrizes arrancadas
aos calabouços
da frágil existência
mas ricos de paradigmas
de vozes interiores
que gravam a alma
...
de sons,palavras,enigmas
contundentes perspectivas
tatuadas na superfície
da epiderme
e ainda assim...
faltam sarrabiscos
na página dos amores
aqueles sem sentido
nem recordações palpáveis
entre teias e cores pastel
aqueles que nunca souberam
marcar o tempo em sinónimos
abrangentes ,signos reveladores
de desinteressadas promessas
ou de dadivas inesperadas.
O tempo nada guardou
na superfície dos dias
talvez por isso
apenas resta aquele meio tronco
que permite respira
ainda que já sem face.
a memória do efémero
aquela que nunca foi
de relevante importância...
Nas linhas de um pequeno papel
sepia ,denunciando outro tempo.
Encontro a marca a negro
decalques dos amores
onde escrevi a negro
linhas invisíveis de palavras
as inconstâncias do tempo
espalhadas no mundo
pelos caprichos do vento.
Incontornavel é a certeza que
algures resiste ainda o livro
onde deveria repousar
este pedaço de papel bolorento
e inacabado...

Jc Patrão&São Gonçalves
 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sonhos percorridos na infinita distancia
dissimuladas em paisagens agrestes
retratos antigos ,misteriosos enredos
cidades inacessíveis,transversais desejos
corpos dissimulados na eterna ambiguidade
de se perder em buscas inglórias de
liberdades e penitências,mortes e renascimentos.

Fugazes lugares perdidos na imensidão da natureza
...
onde descanso e folheio um livro de singularidades metafisicas
os fascículos do desconhecido viagens a um submundo
que me aproximam do irreal paradoxos da alma humana.

Falam de paz que habita em mim numa cadencia que me é familiar
fragmentos de memoria perdida, mas descrevem outros lugares
cidades simbólicas de transformação.

A alma numa simbiose perfeita ,descreve um mundo de saberes guardados
na alquimia de um velho livro de onde velhas e interessantes historias
se transformam na beleza de uma borboleta exótica.


Profundos os imensos oceanos ,labirintos aquáticos
onde se ocultam pérolas do tamanho da minha ansiedade indossoluveis presenças emergindo na vastidão do coração no assombro das horas mortas.
plantas raras exalam perfumes desconhecidos,e as palavras aninham-se no meu colo,para que ,embaladas
se transformem em símbolos de luz e de escuridão
ainda assim por vezes,me sinto perdido ...

Felizmente sou um camaleão de personalidades metamorfose nas noites solitárias
desconexão complexa do mundo real e das minhas realidades internas
personificação de vivençias extra-sensoriais num amalgama de transformações
edificadas através das fronteiras de um mundo invisível,e para que tudo se encaixe
na realidade subtil dos dias,para que me sinta sempre em casa.

Sigo os desígnios de borboletas e traças
Sem segundas interpretações
Onde não resisto a descrever a sua coroação interior,crisálida protectora
da metamorfose feminina, lugar magico de encantamento,envolto em finas sedas invólucro misterioso onde designo um novo recomeço...

JC Patrão&São Gonçalves.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O meu tempo parou
Perto da meia hora
Daquele dia que não alcancei
o tempo de me sentir criança
na ingenuidade do mundo
na timidez sobria do corpo
marcada nos ponteiros de um relogio
na sombra de um corpo esquecido
de quem pouco me lembra
...
e,mesmo assim
carrego-o ainda para lá das poças
reminiscentes da chuva
que não me fez crescer…
Atravesso a velha cidade da memória
observo as ruas desertas
e cruzamentos
plenos de janelas
que me confundem
e me observam
apenas vidros ou seres
as trespassam
criticam a minha guerra…
Se souberes de que solidão
são escritas os meus dias
e de que fragancias se perfumam
as minhas noites
Se souberes ler nas imagens interditas
que fecundam os meus olhos
de ternura e compaixão
se souberes
largarei as horas
por instantes
e com as mãos nuas
pintarei estas paredes
desoladas
que não me pertencem
mas são deste meu mundo…
Pintarei o céu de cinzento
os corpos ausentes em
preto e o branco
talvez por magia no meu olhar
amanhã nascerão de outra cor…
e os ponteiros do relógio
dançarão em outros momentos
em ritmo de fervor…
Jc Patrão & São Gonçalves


domingo, 9 de setembro de 2012

O Céu e eu
tocamos-nos na percepção da não existência...
No impenetrável silêncio da alma
no mítico caminho que me conduz
ao mais profundo conhecimento
...
do sagrado que me habita
na imensidão do desconhecido
na trajetoria do divino
Eu apenas sonho com ele
Ele precisa da crença para existir...
Existir em claustros fechados
onde vaga é a luz
onde a crença se impõe
ao desejo supremo do criador
Eu nem por isso preciso dele para crer
num mundo sem religiosidades
mas pleno de sonhos
de homens e não de Deuses
Não é meu esse mundo mas nada me importa
apenas preciso que algo exista para crer...
No insondável mistério
que me explica a verdade de viver...

Jc Patrão&São Gonçalves.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

De olhar penetrante
Que nos seca os lábios
a pele gasta
pelas horas marcadas
por fantasmas de
sombras discretas
... e um relógio parado
no seu interior…
a solidão transfigurada
as multidões de espíritos
em seu redor
e as gravuras coladas
aos muros
deixadas por várias vidas,
alentos
cinzentos e gastos...

sinto-me disforme enquanto
contemplo o mundo
altero-me em ansiedades
paletas que percorro
as cores que nunca toquei
mas senti de longe
as mesmas que ainda me visitam
e ridicularizam a demência
das noites mal dormidas
numa sequência
que me é familiar
falam de humanidades e naturezas
na fragilidade singular
das palavras...
que se soltam sem pedir…

São Gonçalves / Jc Patrão
No fresco orvalho da manhã
escrevo a vida que corre
e partilho as sombras
que ninguém vê.
Retalhos de mim
nos vapores de um rio quente
... na alegoria da nascente
ribeiros que correm
na intermitência do tempo
águas serenas ou bravas
encontros desmistificados
nas correntes petrificadas.
Revolta a jusante
nos espaços infinitos
na imperceptível distância
nos enigmáticos silêncios.
Encontro ilhéus
que não me falam
mas tanto dizem
de um secreto mundo
de palavras tocadas pela brisa
escritas submergentes
destes pedaços que me compõem.
Pelos pensamentos que partilhados
não morrem com o ser
transformam-se em vida
multiplicam-se em soberanas
metamorfoses ...
...e...
juntam-se aos retalhos de alguém
numa manta eternizada
complexos bordados da existência
manufacturados pelas mãos
retratos do ser
eternos jardins de sentires
exalando odores de vida
são aromas que ficam
mas eu vou…
descansar dos cansaços
na sombra de um esplendoroso abraço
no abandono de um murmúrio
ou talvez me evapore em retalhos…

Jc Patrão/São Gonçalves

terça-feira, 20 de março de 2012

Planicies de luz.
 
A queda de uma pena
silenciou qualquer ruído
nos cantos da sala
reflexos brilhantes
vibrações constantes
corpos suados
... a magia eterna
dos amantes
bocas entreabertas
Demónios da mente
que se evaporam
no calor da luz…
um arco-íris
de mil cores
a rasgar o céu
raios brilhantes
cores em catadupa
iluminam quartos vazios
de silêncios
almas saciadas
contemplam
o horizonte…
…Planícies plenas…de luz…
Será falsa realidade
ou
P
R
I
M
A
V
E
R
A
que me invade
nesta manhã luminosa
liberto de
todos os ecos…
entrego o corpo
ao sol
e
numa voz suave
Sussurro
livre do Inverno
que me perturbou
os sentidos
viro as costas
as brumas do passado
a minha mão
surge do silêncio
do corpo
que desperta
ao som
de uma cotovia
contemplo o céu
Rimo com ele…
um veemente adeus…”

Jc Patrão /São Gonçalves

sábado, 7 de maio de 2011

Despertar


DESPERTAR...


Soletro palavras

...nas pontas dos dedos

calejados

que outrora tocaram

corações complicados...

Sangrando a dor

arrancada do meu

pesar...

Sem poder ouvir

através de demasiados ruídos

criaturas surgem nos ventos...

Sinto que

acordo do sonho...

Esqueço

todas as barragens

todos os naufrágios

que me impediram

de avançar...

Já não me vergo

perante tais adversidades

para além da minha resistência...

Entre as bailarinas das marés

e os barcos perdidos

num mar de sonhos

esqueço o céu negro

carregado...

Já não há razão

num olhar

que já não é cego

e toca horizontes

de sentidos, miragens...

Para lá da protecção

do meu lugar misterioso

e seguro,

afasto a cor densa

da memória

e recomeço uma nova

História.


Dueto São Gonçalves/Jc Patrão

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Afectos


Afectos

Dos silêncios partem as palavras...
Das correntes formam-se amizades...
Das correntes quebradas surgem liberdades...
Através da neblina da amizade em formação subsistem,
tímidas, saudades...
E no mais profundo silêncio
as palavras
renascidas
dos escombros
e das correntes
que um dia
formaram amizades
restam os afectos
pedaços de ternura
marcas
na alma
que não se perdem
nos espaços
abertos
sentimentos
libertos
de saudades
gotas dispersas
há procura da luz
da verdade

JC&São

terça-feira, 12 de abril de 2011

Planicies de luz










A queda de uma pena
silenciou qualquer ruído
nos cantos da sala
reflexos brilhantes
vibrações constantes
corpos suados
a magia eterna
dos amantes
bocas entreabertas
Demónios da mente
que se evaporam
no calor da luz…
um arco-íris
de mil cores
a rasgar o céu
raios brilhantes
cores em catadupa
iluminam quartos vazios
de silêncios
almas saciadas
contemplam
o horizonte...
...Planícies plenas…de luz...
Será falsa realidade
ou

P
R
I
M
A
V
E
R
A
que me invade
nesta manhã luminosa
liberto de
todos os ecos…
entrego o corpo
ao sol
e
numa voz suave
Sussurro
livre do Inverno
que me perturbou
os sentidos
viro as costas
as brumas do passado
a minha mão
surge do silêncio
do corpo
que desperta
ao som
de uma cotovia
contemplo o céu
Rimo com ele…
um veemente adeus…”

Jc Patrão /São Gonçalves