O silencioso canto das aves migratórias

O silencioso canto das aves migratórias

sábado, 10 de janeiro de 2015

Entre o sonho e fantasia
O negro dos dias
Gotas frágeis de desencantos
Entre a cor dos dias e o escuro da noite
A carícia amarga do silêncio
Ou o rosto das palavras que não cabem na garganta.

Entre o sonho e a fantasia, cabe todo um mundo onde me perco, me rendo e me redimo.


São Gonçalves
Se soubesses do amor que ainda existe em cada voo,
se soubesses da ternura guardada num rasgo de céu
das esperanças infinitas que se subtraiem das palavras!
Se soubesses do voo,do ar ,do céu
Serias sempre uma ave rasgando os céus!

Nunca percas cada pedaço de céu!


São Gonçalves.

Foto Ana Souto DeMatos
Tela Edite Melo

Atravessas as ruas,as cidades e os campos
sentes o pulsar do mundo
o vibrar da vida num olhar colorido!
Apenas sentes,não sabes o significado das palavras
as mil e umas nuances da dor
não ouves os sons do mundo
não te arrastas por caminhos de melancolia interdita!

Apenas vês,o caminho da terra lavrada depois da monção
os laivos de dor sangrando nos sulcos da terra
sem lágrimas para enxugar nas linhas do rosto.

Os teus olhos são um mundo de descobertas infinitas
o vale silencioso por onde te perdes
o amor feito devagar no colorido dos dias quentes!
Quente a tua visão da aurora campestre
o arrastar das melodias que não ouves.

Os teus olhos são luz e plenitude
a fragancia eterna das folhas de outono
um laivo de mel,de sol e de esperança.
De tudo isto a certeza com que pintas a vida!

Apenas vês,apenas sentes!

São Gonçalves.
O que nos caracteriza é a nossa continuidade. 
É a nossa coragem de nos mantermos fiéis a nós mesmos, mesmo diante das intempéries. 
Assumir a nossa força e a nossa fragilidade com o mesmo rosto, com o mesmo nome. 

São Gonçalves
A minha humildade perante o mundo alimenta se nas cores crepusculares de Outono. 
De baixo para cima a minha pequenez engrandece na contemplação do universo e nas suas enigmáticas mutações. 

São Gonçalves.
Trago nas mãos Côncavas o brilho do Outono. 
Perde-se o tempo em horas gastas
Nada tenho para dar 
Apenas a magia do silêncio
a melodia da folhagem

De cores marmorizadas
A dádiva de um
Pequeno momento. ..

São Gonçalves.
São de luz os teus olhos quando espreitas pela memória das janelas do tempo. 

São Gonçalves.