O silencioso canto das aves migratórias

O silencioso canto das aves migratórias

sábado, 10 de janeiro de 2015

Não saberia escrever sobre o rasto da nostalgia se não soubesse olhar para a cor da tua alma.
Veste - se o tempo de esquecimentos banais, e o corpo das emoções do último laço. 

São Gonçalves.
Há dias em que tudo cá dentro é silêncio, e cinza, é frio agreste de outono. 
Há dias em que cá dentro pintamos a alma apenas com palavras desenhadas na memória da ternura. 

Fecundo o terreno onde renasce a cor da alma. 

São Gonçalves.
Quando chegaste, trazias nas mãos a luz das manhãs, a cor do horizonte nas linhas dos dias de esperança. 
Quando chegaste, transformas te o meu mundo num lugar mais doce.
São Gonçalves.
Cresci sempre muito mais com o confronto, com as lutas, com o desbravar de caminhos cinzentos dentro de mim, do que com a claridade parda do tempo parado. 

São Gonçalves.
De que servem as palavras quando os punhos estão cerrados? 
De que serve a delicadeza quando os gestos ferem? 

Falo- te de silêncios, esses que toco na fragilidade de um momento. 

São Gonçalves.
Entre o sonho e fantasia
O negro dos dias
Gotas frágeis de desencantos
Entre a cor dos dias e o escuro da noite
A carícia amarga do silêncio
Ou o rosto das palavras que não cabem na garganta.

Entre o sonho e a fantasia, cabe todo um mundo onde me perco, me rendo e me redimo.


São Gonçalves
Se soubesses do amor que ainda existe em cada voo,
se soubesses da ternura guardada num rasgo de céu
das esperanças infinitas que se subtraiem das palavras!
Se soubesses do voo,do ar ,do céu
Serias sempre uma ave rasgando os céus!

Nunca percas cada pedaço de céu!


São Gonçalves.

Foto Ana Souto DeMatos