O silencioso canto das aves migratórias

O silencioso canto das aves migratórias

domingo, 19 de agosto de 2012

Enquanto houver a força

a coragem ,a sede

a sensibilidade dos gestos,

a melodia da luz

o vislumbre da aurora ,
...

mesmo fragmentada

os traços longínquos dos abraços

a memoria da musica ,

sinfonia fantástica

enquanto houver corpo

e braços amando

a dança terá sempre

a sensibilidade mística da cor

enquanto houver amor...


São Gonçalves.
Trago comigo esta vontade louca

de voltar ao centro

á essência pura do recomeço
...

a original pureza do ventre

a cor laranja flamejante

das entranhas da terra

de onde se espalham fragmentos

reminiscências de um outro tempo.


Trago nas mãos um novo sonho

de onde jorram

pinceladas de cores

matizes extraídas

da alma a essência divina.
Partilharei contigo

emoções novas e

hei-de trazer nas mãos

um pedaço de sol.


E no olhar raios de uma nova luz

das palavras nascerão

trilhos novos,ali onde

partirei contigo

em trilhos de primavera.....


E desta vontade

nascerá o refúgio

de se sentir

numa folha de papel

todo o calor

toda a luz

 de verão.

São Gonçalves
Telas em palavras


...

Nos mistérios da noite

chuva de estrelas

de cores suaves

iluminam o espaço

estrelas cadentes

iniciam uma dança

de ritmos ondulantes

corpos vestidos

de vida e de sons...

Nesta minha casa

pintada de novos tons

talvez renasçam

esperanças novas

na cor laranja

que ilumina o espaço.

Eu e tu

em sintonia

nas palavras e nas cores.

Talvez eu me abrace

nas ondas

que rodopiam

no centro do compasso....

Talvez me vista

nas tuas cores

e me embale

em paginas brancas

escritas de poesia.

e seja uma vez mais

a luz que brilha

no reflexo

da tua tela...

Pinceladas de luz

Já não ès o centro onde moram todas estrelas,
...

ès por vezes a escuridão das águas profundas

a calma do silêncio sem luz,sem dor

ausência dos temores afogados em naufrágios

de vidas ,de lutas , vagas gigantes

derrubando a esperança das manhãs.

Mas és muito mais,o clarão vertiginoso do marulhar dos oceanos

um grito d'alma navegando nas profundezas

cristais perdidos errantes por entre

a realidade e o sonho. a escuridão e a luz.

A cor branca dispersa nas sombras

pintada pelas mãos de um pintor

pinceladas de luz num oceano

emoções dispersas ,retalhos ,tonalidades

nas sombras do dia.

São Gonçalves.
Gueixas

Olham-se nos olhos
...
vestidas de amor
plantam nas vestes
rosas vermelhas
esperam a noite
...esquecem a dor

mulheres belas
altivas
formosura no corpo

não mostram o rosto
a cigarrilha
que fumam
escondem a alma
sente-se o odor
forte
do amor
que queima
lume.

São Gonçalves.
Rasgo aos pedaços a nuvem escura
as lágrimas derramadas em oceanos imensos
mares revoltos,a intensidade de sentir
o corpo que se ergue na mais infinita solidão.
Trago vestido ondas de maresia imensa
a curva do corpo desenha-se
e liberta-se na branca espuma
no trejeito das cores claras,na alvorada..
Trago no corpo desenhado a negro
cifras invisíveis que desconheço
códigos de outro tempo
símbolos da natureza divina
caracteres enraizados nas míticas
sombras onde me perco e me encontro
neste mar profundo,nas revoltas marés
que assolam o meu peito .
Desapego-me aos poucos da imagens
códigos humanos que transparecem
nas linhas do se sentir vivo..
Vivo....nas emoções a jusante
na eterna vaga entre estar perto
ou simbolicamente ...distante.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Assola-me esta vontade de silêncio na passagem dos dias,das horas que me abrigam os medos.

Arrumo as palavras ,as minhas e as tuas em frases invisíveis que um dia irei descrever.

Neste nosso mundo,esqueço as luzes intensas que nos ferem o olhar

São tão mais belas as sombras onde te vejo caminhar...
...

Silhuetas de um mundo que trago no peito,cores enaltecendo o interior divino,,preces murmuradas no silêncio do entardecer mítico.

Sonho um sonho de nuances raras,vultos vagueando na timidez das estrelas.

A luz ,a escuridão ,a cor vagueando nas paredes vazias,vozes perturbando as minhas palavras,silenciosas,arrancadas na linha ténue de um vocabulário expressivo que roubo a mundo fantasiado e puro.

Olho o céu quero fugir a esta mudez que me altera os dias....

Mas fico-me pela visão de um tempo entre a palavra e o silencio

entre a resignação e a esperança.

Será talvez esta melodia que trago no peito,esta visão de um mundo que abriga as tardes ,caminhando nas margens de um rio mítico e secular,espelho de outras vidas onde um dia irei despertar....

Mitigo as horas que passam,olho na linha do horizonte e sorrio as sombras que protegem das luzes intensas...

São Gonçalves.