O silencioso canto das aves migratórias

O silencioso canto das aves migratórias

terça-feira, 1 de abril de 2014

Porque todos os dias
somos a força quem vem do alto
Guerreiras de um templo 
ancorado nos sonhos
de esperança

a água,o fogo ,a luz
os braços abertos
albergando a ternura

porque todos os dias
fazemos filhos
rasgamos o ventre
oramos ás divindades
da terra

Porque todos os dias
somos mulher.

São Gonçalves.
Como esquecer o que nunca foi? Como soltar os laços que se fizeram no tempo e no espaço?
Como libertar o que tanto se quis?

Aos bandos as aves partem deixando as mãos vazias de tudo. 

São Gonçalves.
Não há horas marcadas para incetar novos voos ,juntos haveremos de partilhar a ternura das manhãs e a cumplicidade das palavras .
Darei a volta ao mundo, mas não esconderei nunca a magia da minha alma peregrina.
Dos ventos ,nada sei ,apenas quero sentir a brisa acolhedora do teu abraço no limite do meu corpo.

São Gonçalves.
 
Sem querer há uma vontade enorme de partir, mesmo quando a vontade é de ficar e a primavera se avizinha. 
Aninho me nos braços despidos pelo rigor do inverno, vejo te partir e nem sequer sei dizer
Adeus. 

São Gonçalves.
Recebi esta tela das mãos da artista plástica, Manuela Pinheiro Iris...foi assim que ela me descreveu...e eu fiquei imensamente feliz
Obrigada Manuela.

Suaves as cores com que me vestes
o encanto das flores campestres
que soltas ao vento.
Podia deixar a brisa ser cor
ou ouvir o canto suave das papoilas
podia ser folha e fruto
a flor de laranjeira
ou aroma do alecrim.

Revejo-me mar de primavera
ondulando nas searas
a ternura cadenciada dos gestos

De movimentos suaves me pintaste
fios de vento soltando uma aragem fina
a menina de sonhos infantis
voando nas cores da primavera.

Podia ser eu,ou tu
ou a criança desprotegida
a quem deste um pouco de luz esta manhã

Sei da cor e da vida com que delicadamente
me vestes nas tuas mãos benévolas.

São Gonçalves.
Foto Luís de Jesus. 

A fragilidade dos recomeços equilibra se na força invisível. 

São Gonçalves.