Na incerteza, o tempo corre lento, a cidade crepuscular silencia os prantos, os homens adormecem o último resquício de paixão.
Os Deuses velam
A águas esperam
E a força do espaço abraça a rugosa terra
E a luz ensaia um novo beijo nas formas esquivas da sombra.
São Gonçalves.
Foto - António Mattozzi.
O silencioso canto das aves migratórias
quarta-feira, 1 de março de 2017
Vivemos no mundo em múltiplas realidades. Ao abeirar da noite, des construímos o dia, cenário de lutas internas e externas. Queremos conjugar o verbo Ser na sua plenitude, adiamos o querer, o desejar, infinitos de vontades adiadas. Apenas a fragmentação de íntimos estados de alma submergem no caos estilhaçado do espelho quotidiano.
Sente-se a beleza fragmentada, o desânimo a pairar no sombrio contorno do olhar. Sente-se o esvaziar das forças, a tremura na voz.
Sente -se o dias passarem escoados de sentido. E Ser, é um espaço a conquistar.
São Gonçalves.
Sente-se a beleza fragmentada, o desânimo a pairar no sombrio contorno do olhar. Sente-se o esvaziar das forças, a tremura na voz.
Sente -se o dias passarem escoados de sentido. E Ser, é um espaço a conquistar.
São Gonçalves.
Descubro o tumulto do gesto, a ausência de afetos, o eterno marejar das tormentas num barco sempre pronto a navegar. Descubro o sabor do sal deslizando no meu rosto, a nostalgia das marés de inverno. O desassossego de quem tem sempre de partir, rumo a lugares desabitados. Descubro a sensação de vazio, um certo pudor de palavras e de presenças, de espelhos partidos, de rostos tristes e baços. Descubro o sombrio lugar de desapego, a lonjura infinita aos lugares de pertença.
Descubro um mundo de evidências cruéis, e fujo, fujo sempre, para dentro do silêncio das palavras.
São Gonçalves.
Descubro um mundo de evidências cruéis, e fujo, fujo sempre, para dentro do silêncio das palavras.
São Gonçalves.
Aprendi com a sombra os desígnios de um coração solitário. Olhando os espelhos, inventei braços e abraços, inventei a presença, corpos sempre tão distantes do meu, almas coladas à placidez da memória.
Rasguei cartas, suprimi memórias e gestos. Inebriada de silêncios, julguei possuir o que nunca tive.
Apenas guardei, entre o espaço do corpo e a memória do gesto, aquele abraço, demorado, silenciado, interdito.
E hoje, das palavras que julgo saber o significado, materializo o meu e o teu corpo em poema.
São Gonçalves.
Rasguei cartas, suprimi memórias e gestos. Inebriada de silêncios, julguei possuir o que nunca tive.
Apenas guardei, entre o espaço do corpo e a memória do gesto, aquele abraço, demorado, silenciado, interdito.
E hoje, das palavras que julgo saber o significado, materializo o meu e o teu corpo em poema.
São Gonçalves.
domingo, 11 de dezembro de 2016
Mesmo que a minha ausência tenha sido motivo de vazio, de desencanto, nunca a tua ausência foi um sentimento de plenitude como o presente.
Porque a lembrança é o melhor antídoto para a lucidez.
São os dias que marcam a chegada e a partida que asseguram a lembrança e a continuidade da memória.
São Gonçalves.
Foto - Camilo Rego
Porque a lembrança é o melhor antídoto para a lucidez.
São os dias que marcam a chegada e a partida que asseguram a lembrança e a continuidade da memória.
São Gonçalves.
Foto - Camilo Rego
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